terça-feira, 28 de outubro de 2008

SEM CÓLERA HEI DE TE ATACAR - POESIA DE CHARLES BAUDELAIRE

Sem cólera hei de te atacar
Como um carniceiro e sem ódio!
Como o fez Moisés no episódio
Do rochedo - e de teu olhar,

Há de beber o meu Saara,
A água do sofrimento mansa.
Meu sonho cheio de esperança
No teu pranto como nadara!

(...)

Ela em minha voz vocifera!
Todo o meu sangue é este veneno!
Eu sou espelho tão terreno
Em que se contempla a megera!

Eu sou a chaga e o punhal!
Eu sou o rosto e a bofetada!
A roda e a carne lacerada,
Carrasco e vítima afinal (...)

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