Fui hoje, 29/10/08, ao lançamento do livro de um querido amigo, na livraria da Travessa em Ipanema. Após, saí a pé na direção da Henrique Dumont, até chegar na praia. E pela Vieira Souto vim desfiando minhas orações e jogando minhas indagações para Deus, ou para o Ser Superior que, creio, existe e nos ouve. Nessa conversa, saiu bastante do meu fel interior também, foi uma conversa tipo "catarse", sabe?
Entre uma frase ou uma corrente de pensamentos, ia olhando os prédios soberbos da afamada avenida, até que me deparei com o edifício n° 572, prédio pequeno, de apenas cinco andares. Cobicei-o, eu sei. Como me bateu uma vontade de ser um de seus moradores! Prédio pequeno e bem simpático, de uma tonalidade rosa suave, quase um rosa bebê, na projeção da iluminação pública.
Quando ando por Ipanema à noite, sou tomado de quase um êxtase, fico que nem bobo, como se nunca tivesse passado por ali. A noite me fascina tanto, a Vieira Souto pra mim é um surto de felicidade, a proximidade do mar, o ar benfazejo, tudo ali me deixa em estado de choque.
Ah, mas naquela paisagem eu ia contando o meu rosário de queixumes internos, fazendo da Vieira Souto o meu divã ao ar livre.
Vejam só, atualmente sinto falta de ser pai de alguém... Por que não tenho filhos, embora sonhe tanto com crianças, e em alguns dos meus sonhos parece que eu sou o pai, e o menino moreninho e bonito que me surge indica ser meu filho? Será que está na hora de adotar alguma criança??? E os fantasmas que me rondam, de traumas, e até desejos inconfessáveis, impublicáveis? E cadê o tesão pelo meu trabalho? Vejo-me sem perspectivas na repartição pública... é tão desestimulante esta constatação, que me infelicita até à raiz dos cabelos...
De tudo o que eu disse de amargo nessa noite, os ares de Ipanema acolheram de bom grado, eu sei, dando-me a certeza de que, enfim, tento resgatar um pouco de prazer e de sol na minha vida, ao voltar para a faculdade, e estudar o que, de fato, me atrai.
Adentro o Cafeína, agora, na Farme de Amoedo. Peço um penne com camarão flambado no alecrim, e um Terra Andina branco. E escrevo! Escrevo! Somente escrevo! Pois quem escreve faz uma faxina interna e necessária. Tenho certeza!
Páginas matinais 1
Há 2 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário