
"Rio de Janeiro, cidade que me seduz; de dia, falta água, de noite, falta luz...", já dizia uma marchinha do carnaval de 1953...
Ah, o meu amado e velho Rio de Janeiro...Vamos passear um pouco pela sua rica história e suas curiosidades...
VOCÊ SABIA?
COLETA DE LIXO NO RIO - Durante o século XIX o Rio de Janeiro manteve contrato com o empresário ALEIXO GARY, para que fizesse a limpeza e a coleta do lixo carioca; daí surgiu o termo "gari", designando os varredores de rua e carregadores do lixo público e domiciliar... a sede da firma Aleixo Gary ficava na rua Gonçalves Dias n° 47, no Centro.
JORNAL DO COMMERCIO (do Rio de Janeiro) - fundado em 1° de outubro de 1827 pelo francês Pierre Plancher, é dos mais antigos jornais ainda em circulação, em todo o mundo.
CASA NOTRE DAME DE PARIS - Era uma imensa loja no Rio antigo, muito conhecida, que vendia tecidos. Ocupava grande área na esquina da rua do Ouvidor, com o Largo de São Francisco de Paula.
MACHISMO, OU O PRECONCEITO CONTRA AS MULHERES - Sempre existiu no Brasil. É do séc. XIX essa quadrinha, que ilustra bem a triste situação das moças e mulheres no Rio antigo: "Menina que sabe muito
É menina atrapalhada.
Para ser mãe de família,
Saiba pouco, ou saiba nada."
THEATRO POLYTHEAMA - Ficava na rua do Lavradio n° 94, e era todo em madeira; servia também como circo, pois possuía picadeiro e arquibancada circular. Funcionou como circo até o ano de 1879. Depois, comprado por uma companhia de óperas, passou a apresentar apenas dramas, comédias e operetas. A noite de 14 de julho de 1894 marcou, porém, o seu fim. Um violento incêndio, começado no cenário, destruiu em pouco tempo o velho teatro, que naquela noite estava cheio, pois haviam vendido mais de 1.500 ingressos. Os artistas, apavorados, abandonaram o teatro vestidos com as roupas dos seus personagens e grande foi a confusão e correria da platéia, através das ruas do Lavradio, do Senado e da Relação. Hoje, no seu lugar, se encontra a ESCOLA MUNICIPAL CELESTINO DA SILVA, em pleno funcionamento.
REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA - Sua magnífica sede, em estilo manuelino, situa-se na rua Luís de Camões (antiga rua da Lampadosa), próximo à Praça Tiradentes (antigo Campo dos Ciganos e antigo Largo do Rocio). Foi inaugurado pela Princesa Isabel Christina, em 1888. É a mais antiga associação literária fundada por portugueses na América do Sul.
OS OITO TEATROS DA PRAÇA TIRADENTES - Na sua época de Ouro - entre 1910 a 1960 -, chegaram a existir oito teatros funcionando na Praça Tiradentes e nas suas imediações: Teatros IDEAL - RECREIO - JOÃO CAETANO - SÃO JOSÉ - ÍRIS - CARLOS GOMES - MAISON - PARIS. Atualmente, somente funcionam dois, o João Caetano e o Carlos Gomes. Todos os outros faliram e/ou fecharam.
RUAS DA PROSTITUIÇÃO DESCARADA NO RIO ANTIGO - As prostitutas e os proxenetas do Rio antigo viviam confinados numa zona delimitada pelas ruas de São Jorge, Senhor dos Passos, do Regente, dos Ciganos e a do Núncio. Os tempos mudaram, e os nomes das ruas também: a rua de São Jorge se chama hoje rua Gonçalves Ledo; a do Regente é a Regente Feijó; a dos Ciganos, se chama rua da Constituição; a do Núncio, se chama Avenida Tomé de Souza. A única que ficou com o mesmo nome foi a rua Senhor dos Passos.
UM CONTO DE RÉIS - Nos séculos XIX e até quase meados do XX (1942), um conto de réis era muito dinheiro. Escrevia-se 1:000$000. Um conto equivalia a um milhão de réis, padrão monetário brasileiro que só foi abolido pelo Presidente Vargas em 1942, dando lugar ao cruzeiro. Com todas as trocas de moedas que o Brasil teve, muito difícil se faz a equivalência de quanto seria o poder aquisitivo de um conto de réis atualmente. Alguns dizem que, cortando todos os zeros com as sucessivas mudanças monetárias, equivaleria hoje a 1 real; outros entendidos da matéria, afirmam que um conto de réis hoje nada valeria.
THEATRO LYRICO - Inaugurado em 19-2-1871, até 1890 era chamado de Imperial Theatro de Dom Pedro II. Era, até o ano de 1909, a maior casa de espetáculos do Rio de Janeiro. Tinha 2.000 lugares, duas tribunas nobres, 42 camarotes de 1ª ordem, outros tantos de 2ª ordem, e uma galeria com 500 lugares. Era freqüentado pela família Imperial e pela alta nobreza brasileira. Situava-se na esquina das ruas da Guarda Velha com Barão de São Gonçalo (hoje, Av. Treze de Maio com a Av. Almirante Barroso). Foi demolido em abril de 1934, pois o terreno havia sido comprado pela Caixa Econômica Federal.
LUZ ELÉTRICA NO RIO DE JANEIRO - As primeiras experiências foram feitas no ano de 1879, na Estação da Central do Brasil. Em 1884, foi iluminado o Campo de Santana e um trecho da rua do Areal (hoje rua Moncorvo Filho), e o novo bairro de Vila Isabel. Nesse ano também foi iluminado o Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista. O último baile do Império, realizado a 09-11-1889 na ilha Fiscal, foi todo realizado debaixo de luz elétrica, para espanto do povo, pois a luz elétrica era cara e era considerada um luxo. Somente no ano de 1905, com a concessão feita pelo Governo à THE RIO DE JANEIRO TRAMWAY LIGHT AND POWER COMPANY, foi trazido esse melhoramento para a maior parte da cidade. O pomposo nome da companhia elétrica ficou reduzido para LIGHT, como é do conhecimento geral. O imponente prédio da Light, na antiga rua Larga de São Joaquim (Av. Marechal Floriano), data de 1907. Os subúrbios continuaram, até os anos 1930, com a iluminação primitiva, a gás, "lampião de gás, lampião de gás, quanta saudade você me traz...", cantavam os saudosistas. Com a luz elétrica, desapareceu a profissão de "acendedor de lampiões". Coisas do Rio antigo.