Em termos musicais, desde sempre sou muito eclético. Ouço muito bem a música dita clássica, o jazz, a MPB (incluindo aí a Bossa Nova e o Samba), o soul, o gospel, alguns rocks, alguma coisa de hip-hop; só não dá pra agüentar funk e o gênero "bate estaca", pois aí já é demais para mim.
Como sabido, há músicas e músicas, cantores e cantores, autores e autores, bandas e orquestras, tão diversos quanto os nossos dedos das mãos e pés, que não são absolutamente iguais.
Seleciono hoje, para nosso deleite, a letra de uma das melhores músicas produzidas pelo movimento da Bossa Nova, surgido em 1958 no Rio de Janeiro.
DESAFINADO (Tom Jobim - Newton Mendonça)
Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados tem ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo, devo argumentar
Que isso é bossa nova, isso é muito natural
O que você não sabe, nem sequer pressente
É que os desafinados também tem um coração
Fotografei você na minha Rolleyflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Ele é o maior que você pode encontrar
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados,
No fundo do peito, bate calado...
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração!
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